JUROS ALTOS E SEUS EFEITOS NEGATIVOS AO LONGO DO TEMPO

Na medida em que a inflação demora para convergir ao centro da meta de 3% ao ano, seja pelas condições internas ou externas adversas, seus efeitos ao longo do tempo têm sido devastadores para a economia como um todo, isto é, para o governo, empresas e famílias.

Para combatê-la o BACEN subiu a taxa de juros e o pico atingiu 15% ao ano em junho/25 e deverá manter-se nesse patamar até março/26, quando dará início ao processo de redução de forma lenta e gradual.

A economia terá que conviver com juros elevados e suas consequências negativas por um longo período ainda, isto é, altíssimas despesas financeiras pagas nas operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas e rendimentos dos títulos públicos desembolsados pelo governo.

Em 2025, fruto de sua irresponsabilidade fiscal do governo, a dívida pública total chegou a R$ 10,0 trilhões de reais e foram pagos mais e R$ 1,0 trilhão de reais de juros, 7,88% do PIB. Imagine parte significativa desse valor sendo investido na infraestrutura, educação e saúde, por exemplo.

Do Orçamento de 2026, R$ 2,9 trilhões de reais, 44,3% serão destinados ao pagamento de juros a amortização da dívida púbica e o que é pior, ela não tem perspectivas de parar de crescer, hoje situa-se 78,4% do PIB.

De acordo com o Serasa, em outubro/25, mais de 94% dos 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes pertenciam as pequenas e médias empresas, o lado mais frágil da economia. Em função dos juros altos e crédito escasso, o volume do calote atingiu R$ 204,8 bilhões, com crescimento de 1,8 milhões de empresas desde dezembro de 2024 que não conseguem pagar seus compromissos em dia.

As famílias sofrem igualmente, pois, segundo o BACEN, no mesmo período, a taxa de endividamento – saldo da dívida em proporção a renda anual atingiu 49,3%, próximo do recorde histórico de 49,9% registrado em julho/22.

O comprometimento da renda mensal com o pagamento da dívida alcançou 29,4%, o maior nível de série histórica iniciada em 2005. O índice de desaprovação do governo supera 50% conforme os mais diversos institutos de pesquisa e não é sem razão.

Uma política fiscal responsável, planejada, de médio prazo, com diminuição de gastos, obtenção de superávits primários e redução da dívida pública é premissa básica para queda da inflação e juros, deveria ter sido iniciada a tempos, de modo a tirar a economia desse sufoco que se encontra a vários anos.

Na expectativa que isso aconteça em 2027, com novo governo, a esperança é a última que morre.

(*) Prof. Dr. Jose Eduardo Amato Balian

Consultor empresarial

www.itdi.com.br

 jbalian@uol. com.br

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